RioFan 2011 anuncia filmes vencedores
O RioFan - Festival Fantástico do Rio 2011 chegou ao fim no último domingo, dia 24 de julho, com o anúncio dos longas e curtas-metragens escolhidos pelo público como os melhores da programação. Confira a lista abaixo:
Premiados - RioFan 2011
Panorama
Melhor Filme - A MULHER (THE WOMAN), de Lucky McKee (EUA)
2º lugar - A noite do Chupacabras, de Rodrigo Aragão (Brasil)
3º lugar - Entrei em pânico ao saber o que vocês fizeram na sexta-feira 13 do verão passado - Parte II, de Felipe M. Guerra (Brasil)
RioFan Shorts
Melhor Filme Estrangeiro - A LENDA DE BEAVER DAM THE LEGEND OF BEAVER DAM), de Jerome Sable (Canadá/EUA)
2º lugar - Todos os homens se chamam Robert (Tous les hommes s'appelent Robert), de Marc-Henri Boulier (França)
3º lugar - A chegada de Yuri Lennon a Alpha 46 (Yuri Lennon's Landing On Alpha 46), de Anthony Vouardoux (Suíça/Alemanha)
Melhor Filme Brasileiro - BORBOLETAS INDÔMITAS, de Daniel Chaia (SP)
2º lugar - Mens Sana in Corpore Sano, de Juliano Dornelles (PE)
3º lugar - Calma Monga! Calma!, de Petrônio Lorena (PE)
Underground Brasil
Melhor Filme - SALOMÉ, de Fernando Gerheim (RJ)
2º lugar - Gato, de Joel Caetano (SP)
3º lugar - Beth, a garçonete, de Júlia Godinho Retondo (SP)
Com realização da Franco Produções e Cultural em parceria com a Time Machine, o RioFan 2011 foi uma apresentação da Caixa Cultural, com patrocínio da Caixa Econômica Federal. Cerca de 2 mil espectadores compareceram às sessões do festival, que exibiu um total de 59 filmes.
RioFan 2011 ANNOUNCES WINNERS
RioFan – Rio Fantastic Festival 2011 came to an end on Sunday, July 24th, with the announcement of the best feature and short films chosen by the audience. Check the list below:
Winners - RioFan 2011
Panorama

Best Film – THE WOMAN, Lucky McKee (USA)
2nd place - The Night of the Chupacabras (A noite do Chupacabras), by Rodrigo Aragão (Brazil)
3rd place - Entrei em pânico ao saber o que vocês fizeram na sexta-feira 13 do verão passado - Parte II, by Felipe M.Guerra (Brazil)
RioFan Shorts
Best Foreign Short - THE LEGEND OF BEAVER DAM, by Jerome Sable (Canada / USA)
2nd place – Tous les hommes s'appelent Robert, by Marc-Henri Boulier (France)
3rd place - Yuri Lennon's Landing On Alpha 46, by Anthony Vouardoux (Switzerland / Germany)
Best Brazilian Short – BORBOLETAS INDÔMITAS, by Daniel Chaia
2nd place - Mens Sana in Corpore Sano, by Juliano Dornelles
3rd place - Calma Monga! Calma! by Petrônio Lorena
Underground Brasil
Best Short - SALOMÉ, by Fernando Gerheim
2nd place - Gato, by Joel Caetano
3rd place - Beth, a Garçonete, by Júlia Godinho Retondo
Produced by Franco Produções e Cultural in partnership with Time Machine, RioFan 2011 was presented by Caixa Cultural, and sponsored by Caixa Econômica Federal. About 2,000 spectators attended the screenings of the festival, that had a total of 59 films in its program.
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6 perguntas para John Carpenter
por Felipe Bragança
A convite do Fernando Toste, programador do RIOFAN, enviei 6 perguntas rápidas no meio da madrugada do dia 18 de julho, para o mestre John Carpenter, que voltou ao cinema depois de 10 anos de retiro. Quando acordei no dia seguinte, as respostas estavam em minha caixa de e-mails.
1) Queria começar perguntando sobre aquilo que te atraiu no roteiro e no projeto de ATERRORIZADA (THE WARD). Depois de 10 anos parado, o que te fez olhar esse filme e pensar que nele havia algo seu, uma marca que o fizesse sair desse intervalo na carreira?
J.C.: ATERRORIZADA me atraiu por ser uma história de fantasmas com teor psicológico, toda localizada em uma locação limitada e com um pequeno elenco. Além disso, o filme é sobre memórias e identidade, algo que me atraiu no momento eu que eu me encontrava. Escolhi a história por sua ênfase completa no clima, atmosfera e no isolamento das personagens. Era a minha forma de reagir contra a recente onda de filmes de horror inflados, "over-produced".
2) Como foi trabalhar com um elenco quase todo de mulheres e focado nas figuras femininas como protagonistas e antogonistas da narrativa? Isso me chamou atenção no filme, já que a maioria de seus filmes, quase todos, se focam em personagens masculinos seja como heróis, seja como antagonistas. Isso foi realmente um processo diferenciado para você?
JC: Eu adorei desde o início a idéia de trabalhar com esse elenco em ATERRORIZADA. Todas lindas e muito talentosas. E o filme que construo com elas parece no começo ser o inverso de O ENIGMA DO OUTRO MUNDO, mas na verdade lida essencialmente com a mesma questão, só que com uma nova dimensão pela presença delas: "O que está vindo ali? Quem está vindo ali? O que está acontecendo?". Então é diferente de certa forma, mas a questão já tinha sido trabalhada por mim antes de outra maneira.
3) Quando você se decidiu por esse intervalo na direção? Era algo planejado ou você se viu diante de algum dilema de criação ou produção de seus filmes?
J.C: O intervalo na minha carreira tem a ver com minha total estafa em 2001. Eu percebi de repente que precisava parar de filmar e descansar um pouco. Eu vinha dirigindo filmes por mais de 30 anos, pulando de filme em filme, sem intervalos. Senti que era hora criar um intervalo, um tempo para um respiro.
4) Você se vê recomeçando? Como você descreveria para um jovem diretor de cinema como é lidar com esse limiar entre o cinema industrial de gênero e o artesanato diário, a parte autoral e pessoal de seus trabalhos?
J.C: Eu diria que é sempre muito dificil entrar e lidar com a indústria de cinema. E, por isso, eu sempre eu colocaria a ênfase no cinema em si, acima de qualquer gênero que você esteja trabalhando. Se você se entrega de coração a "Dama Cinema", você acaba por se tornar parte de um clube muito especial e único de companheiros contadores de histórias. Ela, o cinema, demanda muito de você - mas pode te dar muito em troca se a relação for verdadeira.
5) Falando mais em estética do que em uma questão de cansaço pessoal, FANTASMAS DE MARTE me parecia, na época, um ápice discursivo na sua carreira. Fazia sentido, pra mim, que depois dele, de alguma forma, você não tivesse clareza de para onde apontar. Ou que se sentisse no limite do que você podia fazer no cinema em termos de construção de uma identidade para seus filmes. Isso aconteceu?
J.C: De alguma forma. Depois de FANTASMAS DE MARTE, eu sentia que a minha cabeça estava vazia, eu não tinha mais idéias dentro dela, estava realizado de alguma forma mas desesperançoso também sobre para onde seguir. Isso foi parte do problema, sim. Agora, dez anos depois, me sinto renovado e com mais esperança no futuro e naquilo que ele pode me trazer.
6) Quais são os novos projetos? Filmes pequenos? Novas produções de maior porte financeiro?
J.C: Eu tenho muitos projetos em desenvolvimento. De diferentes tamanhos, formatos e orçamentos. Mas fazer filmes é, no fundo, sempre, saber como contar estórias. Eu procuro por uma história que eu sinta que sou capaz de contar, mas uma história que tenha ressonância também em mim, pessoalmente. Eu já fui muito bem recompensado no passado por essa premissa. Então acho que vou continuar com ela como única premissa para um bom filme.
Rio, 19/07/11
Felipe Braganca é diretor de A ALEGRIA